DIAGNÓSTICO DA EXISTÊNCIA DE BIÓTIPOS DE Conyza sp. RESISTENTES AO HERBICIDA GLYPHOSATE NO SUL DO BRASIL

O sistema de plantio direto predomina na produção de soja no Brasil. Nesse sistema, o controle das plantas daninhas antes da semeadura é realizado com herbicidas não seletivos, como o glyphosate. Entretanto, existem regiões com presença de espécies de difícil controle, como a Conyza sp., que além dessa característica, já foi relatada como resistente ao glyphosate em várias partes do mundo. Para verificar a existência de biótipos de Conyza sp. resistentes ao glyphosate no Paraná, um importante estado produtor de soja no Brasil, foram coletadas sementes em 17 localidades da região e comparadas a uma população susceptível. O experimento foi conduzido em vasos na Embrapa Soja, em blocos casualizados com quatro repetições. Nos biótipos foram aplicados glyphosate (720 g.ha-1, mais 1/8, 1/4, 1/2, 2/1, 4/1 e 8/1 dessa dose), paraquat+diuron (300+150 g.ha-1) e chlorimuron-ethyl (10 g.ha-1), mais uma testemunha sem aplicação. Foram calculadas a freqüência, a taxa de resistência e as doses de glyphosate para controlar 50% e 90% (GR50 e GR90) dos biótipos. Todas as populações suspeitas apresentaram biótipos resistentes, com freqüência média de 52,69%. O GR50 médio da população resistente foi 1537,18 g ha-1 e da população susceptível foi 282,26 g ha-1, proporcionando taxa de resistência de 5,45. O GR90 médio da população resistente foi 8702,56 g ha-1 e da população susceptível foi 710,45 g ha-1, com taxa de resistência de 12,25. O trabalho mostrou a existência de populações de Conyza sp. resistentes ao glyphosate no Paraná, com nível de freqüência e taxa de resistência diferenciadas.
Palavras-chave: soja, mecanismo de ação, herbicida, EPSPS, dessecação